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Guia técnico · 6 min

Classe #150 vs #300 vs #600: qual flange usar em cada linha

Classe não é pressão: é envelope pressão-temperatura. Guia pra escolher entre #150, #300 e #600 sem superdimensionar nem errar.

Equipe Conefer ·
Classe #150 vs #300 vs #600: qual flange usar em cada linha

Qual classe de flange usar numa linha é a dúvida mais frequente em projeto. Especificar classe baixa demais quebra planta; alta demais encarece sem necessidade. Esse guia explica como escolher entre #150, #300 e #600 em ASME B16.5.

Classe é envelope pressão-temperatura, não pressão fixa

O número da classe (150, 300, 600) é uma referência histórica, não a pressão de trabalho. A pressão admissível depende da temperatura e do grupo de material.

Flange A105 (grupo 1.1):

  • Classe #150: 285 psig a 38°C → 140 psig a 316°C → 100 psig a 425°C
  • Classe #300: 740 psig a 38°C → 535 psig a 316°C → 395 psig a 425°C
  • Classe #600: 1480 psig a 38°C → 1075 psig a 316°C → 790 psig a 425°C

Observação: a 425°C, a classe #150 só suporta cerca de um terço da pressão nominal "150". É por isso que a tabela manda, não o número.

Quando #150 resolve

  • Água industrial até ~15 bar
  • Vapor saturado baixo (até 10 bar e 180°C)
  • Ar comprimido e utilidades em geral
  • Serviço de drenagem, condensado

Em projeto novo pra plantas de porte médio, #150 cobre 60–70% das linhas. É o cavalo de batalha do dimensionamento.

Quando subir pra #300

  • Vapor saturado acima de 15 bar ou vapor superaquecido
  • Processo químico com pressão de projeto acima de 20 bar
  • Linhas de nitrogênio ou hidrogênio em pressão de rede industrial
  • Qualquer linha onde a temperatura excede 300°C

A classe #300 pesa cerca de 60% mais que a #150 na mesma bitola e custa de 40 a 70% a mais. Vale pela segurança quando a temperatura está no limite.

Quando subir pra #600

  • Vapor de alta pressão de caldeira (>40 bar)
  • Processos de refinaria (hidrocraqueamento, reforma catalítica)
  • Linhas de hidrogênio em pressão elevada
  • Caldeiras de recuperação em celulose
  • Qualquer serviço crítico NR-13 onde ciclo térmico é severo

A classe #600 muda a montagem: parafusos maiores (M24+), chave hidráulica obrigatória, flange de pescoço (WN) é o padrão.

Como escolher: fluxo de decisão

  1. Pressão máxima de operação (bar). Multiplique por 1,15 pra ter margem.
  2. Temperatura máxima de operação (°C).
  3. Consulte tabela do material no envelope pressão-temperatura.
  4. Escolha a menor classe que cobre o ponto (pressão × temperatura).
  5. Confirme com equipe técnica se há ciclo térmico, hidrogênio, serviço crítico — nesses casos, suba uma classe.

Armadilhas típicas

Especificar classe pela pressão nominal da rede sem olhar temperatura é o erro mais caro em projeto novo. Vale pouco mais e dura o dobro.
  • Confundir "classe #150" com "pressão 10,2 bar" (não é — depende da temp)
  • Subir a classe sem subir o material (ex: #600 em A105 pra temperatura de A182 F11)
  • Especificar #300 pra todas as linhas "pra padronizar" — pesa a estrutura, encarece sem benefício
  • Esquecer de margem de 15% em pressão de operação; a norma manda calcular com margem

Perguntas frequentes

Posso usar #150 em linha de ar comprimido 15 bar? +

Sim, com margem. Ar seco em temperatura ambiente, A105 classe #150 suporta até 20 bar com folga. Só não indicado se há risco de pulsação ou presença de óleo.

Diferença de peso e preço entre #150 e #300 na mesma bitola? +

Varia por bitola. Em flange WN 4": #150 pesa ~10 kg, #300 pesa ~16 kg. Preço de catálogo: #300 custa 45–70% a mais que #150, dependendo do material.

Vocês trabalham com classes acima de #600? +

Sim. Classes #900, #1500 e #2500 em A105, A182 F11/F22, inox 304/316 e ligas especiais. Entrega sob cotação, prazo médio 15–45 dias.

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