Classe #150 vs #300 vs #600: qual flange usar em cada linha
Classe não é pressão: é envelope pressão-temperatura. Guia pra escolher entre #150, #300 e #600 sem superdimensionar nem errar.
Qual classe de flange usar numa linha é a dúvida mais frequente em projeto. Especificar classe baixa demais quebra planta; alta demais encarece sem necessidade. Esse guia explica como escolher entre #150, #300 e #600 em ASME B16.5.
Classe é envelope pressão-temperatura, não pressão fixa
O número da classe (150, 300, 600) é uma referência histórica, não a pressão de trabalho. A pressão admissível depende da temperatura e do grupo de material.
Flange A105 (grupo 1.1):
- Classe #150: 285 psig a 38°C → 140 psig a 316°C → 100 psig a 425°C
- Classe #300: 740 psig a 38°C → 535 psig a 316°C → 395 psig a 425°C
- Classe #600: 1480 psig a 38°C → 1075 psig a 316°C → 790 psig a 425°C
Observação: a 425°C, a classe #150 só suporta cerca de um terço da pressão nominal "150". É por isso que a tabela manda, não o número.
Quando #150 resolve
- Água industrial até ~15 bar
- Vapor saturado baixo (até 10 bar e 180°C)
- Ar comprimido e utilidades em geral
- Serviço de drenagem, condensado
Em projeto novo pra plantas de porte médio, #150 cobre 60–70% das linhas. É o cavalo de batalha do dimensionamento.
Quando subir pra #300
- Vapor saturado acima de 15 bar ou vapor superaquecido
- Processo químico com pressão de projeto acima de 20 bar
- Linhas de nitrogênio ou hidrogênio em pressão de rede industrial
- Qualquer linha onde a temperatura excede 300°C
A classe #300 pesa cerca de 60% mais que a #150 na mesma bitola e custa de 40 a 70% a mais. Vale pela segurança quando a temperatura está no limite.
Quando subir pra #600
- Vapor de alta pressão de caldeira (>40 bar)
- Processos de refinaria (hidrocraqueamento, reforma catalítica)
- Linhas de hidrogênio em pressão elevada
- Caldeiras de recuperação em celulose
- Qualquer serviço crítico NR-13 onde ciclo térmico é severo
A classe #600 muda a montagem: parafusos maiores (M24+), chave hidráulica obrigatória, flange de pescoço (WN) é o padrão.
Como escolher: fluxo de decisão
- Pressão máxima de operação (bar). Multiplique por 1,15 pra ter margem.
- Temperatura máxima de operação (°C).
- Consulte tabela do material no envelope pressão-temperatura.
- Escolha a menor classe que cobre o ponto (pressão × temperatura).
- Confirme com equipe técnica se há ciclo térmico, hidrogênio, serviço crítico — nesses casos, suba uma classe.
Armadilhas típicas
Especificar classe pela pressão nominal da rede sem olhar temperatura é o erro mais caro em projeto novo. Vale pouco mais e dura o dobro.
- Confundir "classe #150" com "pressão 10,2 bar" (não é — depende da temp)
- Subir a classe sem subir o material (ex: #600 em A105 pra temperatura de A182 F11)
- Especificar #300 pra todas as linhas "pra padronizar" — pesa a estrutura, encarece sem benefício
- Esquecer de margem de 15% em pressão de operação; a norma manda calcular com margem
Perguntas frequentes
Posso usar #150 em linha de ar comprimido 15 bar? +
Sim, com margem. Ar seco em temperatura ambiente, A105 classe #150 suporta até 20 bar com folga. Só não indicado se há risco de pulsação ou presença de óleo.
Diferença de peso e preço entre #150 e #300 na mesma bitola? +
Varia por bitola. Em flange WN 4": #150 pesa ~10 kg, #300 pesa ~16 kg. Preço de catálogo: #300 custa 45–70% a mais que #150, dependendo do material.
Vocês trabalham com classes acima de #600? +
Sim. Classes #900, #1500 e #2500 em A105, A182 F11/F22, inox 304/316 e ligas especiais. Entrega sob cotação, prazo médio 15–45 dias.